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Organização haitiana premiada por combate à aids

 IPS 24 May 2019

(Originally published: 05/2010) A Gheskio, uma organização criada há quase três décadas no Haiti para combater a aids, recebeu esta semana o prestigioso Prêmio Gates para a Saúde Global 2010. (763 words) - Ann Shen

Nova York, E.U.A - A Gheskio, uma organização criada há quase três décadas no Haiti para combater a aids, recebeu esta semana o prestigioso Prêmio Gates para a Saúde Global 2010.

Gheskio significa Grupo Haitiano de Estudo do Sarcoma de Kaposi e de Infecções Oportunistas. A entidade é a décima ganhadora do prêmio, entregue anualmente. O júri elogiou esta organização por seu impacto no longo prazo, bem como por sua veloz resposta na hora de tratar enfermos e feridos no terremoto que, em 12 de janeiro, deixou mais de 220 mil mortos no Haiti.

Durante anos a entidade forneceu serviços clínicos pioneiros, além de se dedicar à pesquisa e capacitação, que conseguiram impedir a propagação do HIV/aids e de outras doenças relacionadas, afirmou a organização internacional Global Health Council, com sede nos Estados Unidos, que anunciou o prêmio em um simpósio realizado no dia 17, em Genebra.

Embora a sede da Gheskio, em Porto Príncipe, tenha ficado seriamente danificada pelo terremoto, abriu suas portas a sete mil cidadãos que ficaram sem teto. A entidade também instalou um hospital móvel. Na primeira semana após o tremor, cuidou para que 95% das pessoas que estavam em tratamento contra o vírus HIV e tuberculose continuassem recebendo seus medicamentos e cuidados apesar da destruição.

A Gheskio é presidida por Jean William Pape, nascido no Haiti. Ele foi um dos principais médicos a se dedicar à epidemia desde o começo, e se destacou por conseguir uma alta sobrevivência em pacientes com aids, bem como uma grande adesão ao tratamento, que se equipara com os das clinicas e dos hospitais mais avançados dos Estados Unidos e da Europa. Além disso, as pesquisas feitas pela organização informam sobre o tratamento e os cuidados para pacientes com aids em todo o mundo.

Antes do terremoto, a rede da Gheskio cuidava de mais de 50 mil pessoas infectadas com HIV, e fornecia terapia antirretroviral a mais de 13.500, aproximadamente 55% de todos os pacientes que recebem esse tratamento no Haiti. "A Gheskio ganhou este prêmio pelo destacável impacto que o médico Bill Pape e seus colegas conseguiram na hora de salvar vidas e fortalecer o sistema de saúde no Haiti", afirmou o presidente da Global Health Council, Jeffrey L. Sturchio.

"Eles transformaram a Ghesko em uma instituição incomum, com sede em um país em desenvolvimento, que se tornou líder na comunidade mundial de pesquisadores. Esse caráter dual - capacidade de pesquisa de primeira classe vinculada com raízes profundas na comunidade local - é o que diferencia a Gheskio e a converte na receptora natural deste reconhecimento", afirmou Sturchio.

"Sob a extraordinária liderança de Jean William Pape, a Gheskio mostrou que, inclusive nas circunstâncias mais difíceis, é possível, trabalhar com e para as comunidades afetadas. A resposta enérgica e sustentada da Gheskio diante do terremoto no Haiti diz muito sobre o doutor Pape e sua organização", acrescentou o presidente da Global Health.

Pape expressou sua alegria pelo prêmio. "Durante quase 30 anos, a Gheskio serviu incansavelmente aos mais necessitados do Haiti. Eu não poderia estar mais orgulhoso de nosso pessoal haitiano, que trabalhou diligentemente antes, durante e depois do terremoto de 12 de janeiro, para atender às múltiplas necessidades da população. São eles que, como nossos sócios, ganham este reconhecimento", afirmou Pape, que também é professor de Medicina no Weill Cornell Medical College, em Nova York.

Warren Johnson Jr., diretor do Centro para a Saúde Global no Weill Cornell e cofundador da Gheskio, também foi assessor e mentor de Pape a partir dessa instituição de ensino. A organização haitiana "começou como uma unidade de reidratação para bebês, evoluiu para uma dedicada à aids e à tuberculose e continua com o terremoto e sua devastação. Os desafios nunca diminuem, mas continuam sendo enfrentados graças ao indomável espírito da Gheskio e seus sócios", disse Johnson, acrescentando que o prêmio é muito merecido.

A entidade receberá US$ 1 milhão como parte do prêmio, criado pela Fundação Bill & Melinda Gates para reconhecimento de organizações que dão contribuições destacáveis para melhoria da saúde, especialmente em contextos de carência. O ganhador é escolhido por um júri de líderes internacionais em questões de saúde, a partir de 179 indicações recebidas de todo o mundo.

A Gheskio foi criada em 1982, depois que médicos haitianos de diferentes especialidades começaram a observar um aumento da mortalidade em pacientes com doenças que poderiam ter sido tratadas previamente, como diarréia e sarcoma de Kaposi. Desde seu nascimento, a organização trabalha em estreita cooperação com o Weill Cornell Medical College, o Ministério da Saúde do Haiti, a Associação Médica Haitiana e mais de cem instituições públicas e privadas do país.

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