print logo

Efeito Propagador: Escolher a rota para uma realidade alternativa

 The Big Issue South Africa 22 November 2019

Brett Shuttleworth é como um gato com nove vidas; já passou pela experiência de ser um jogador de rúgbi e a vontade de ser um estudante de medicina até ser morador de rua e depois um super modelo internacional. Agora vivendo na Cidade do Cabo, ele fala sobre sua última encarnação. "Eu andei nos tapetes vermelhos e foi cumprimentado com tapinhas nas costas. Mas no fim do dia, eu tinha um coração vazio". (1044 Words) - By Yazeed Kamaldien

Share

The Big Issue South Africa_Brett Shuttleworth

 Brett Shuttleworth. Photo: Sam Pegg

Conheça o homem que viveu uma vida por completo: Brett Shuttleworth. Originalmente vindo de Durban, esse ex-supermodelo já foi um morador de rua em Manhattan, Nova Iorque, por seis semanas depois de ter completado um ensaio fotográfico para a Ralph Lauren nos Estados Unidos. Quando essa campanha de moda se tornou global, Shuttleworth embarcou junto.

"No fim, eu acabei trabalhando em 16 países diferentes ao redor do mundo. Eu estava em uma cidade diferente a cada semana por quatro anos sem parar. Fiz passarelas, fotos e comerciais", se recorda Shuttleworth.

Ele apareceu em revistas e publicidades mundiais, foi chamado de "O Cara" e atuou como ele mesmo no filme American Pie 2. Mas vamos voltar em sua história para saber como tudo começou.

Quando Shuttleworth jogava rúgbi pelo Natal Sharks, ele conseguiu uma bolsa de estudos esportiva para estudar medicina em Atlanta, Geórgia. Sua meta era jogar rúgbi  na Copa do Mundo do esporte, então não foi difícil deixar a medicina de lado para se dedicar por um time maior em San Diego na Califórnia, quando a chance apareceu.

Aquele sonho se esvaiu quando Shuttleworth quebrou seu braço esquerdo à um mês da Copa do Mundo. Seu braço ainda carrega placas de metal e exibe a cicatriz. Estava claro que a vida tinha outros planos - incluindo uma carreira de modelo internacional e a passagem por Hollywood - e sua atual encarnação como palestrante motivacional.

"Nós lidamos com muitas adversidades na vida. Quando meu braço quebrou, eu sofri muito já que eu tinha treinado desde garotinho para chegar na Copa do Mundo. Mas também tinha uma sensação de paz no meu subconsciente", diz Shuttleworth.

"Foi um alívio desse condicionamento de acreditar que eu tinha que alcançar todos esses gols externos e fazer parte da Copa do Mundo para ser bem sucedido...Foi algo mais autêntico e eu fiquei mais sereno por não precisar provar nada para ninguém".

Mas essa clareza veio bem mais tarde para Shuttleworth. Naquela época, ele não estava na universidade, não tinha uma carreira no rúgbi, estava desempregado enquanto dividia a casa com outros seis jogadores do esporte. O único trabalho legal que poderia encontrar era o de empacotar perucas masculinas na fronteira dos Estados Unidos com o México. Ele atravessava a fronteira com outros mexicanos diariamente para ter um salário para sua sobrevivência.

E o destino o cruzou novamente. Um encontro casual em um jogo de rúgbi com um agente de modelos em Los Angeles o levou a ser a cara da campanha da Ralph Lauren.

"Um cara veio até mim e perguntou se eu consideraria trabalhar como modelo. Eu disse, 'E agora você vai me convidar para ir para o seu quarto'. Eu era ignorante e tinha uma mentalidade voltada para a realidade do rúgbi. Ele disse que eu realmente tinha o que precisava para chegar ao topo. Ele me deu seu cartão e depois de duas semanas o telefonei", disse Shuttleworth.

"Ele me levou na Ralph Lauren em Nova Iorque e me escolheu como a cara da campanha mundial fotografada pelo [respeitado fotógrafo de moda] Bruce Weber. Foi meu primeiro trabalho. Eu nunca tinha trabalhado como modelo em minha vida."

E daí veio provavelmente a parte mais interessante da época em que Shuttleworth ficou nos Estados Unidos. Ele retornou a Nova Iorque depois da sessão de fotos com Weber mas seus agentes não tinham feito reservas de acomodação e ele receberia o dinheiro da campanha alguns meses mais tarde. Shuttleworth estava sem dinheiro e se viu nas ruas da selva de pedra de Manhattan.

"Na primeira noite tive muito medo. Existiam outros moradores de rua que conheciam bem a cidade. Eu aprendi a malandragem das ruas com eles", ele afirma.

"A polícia nos acordava as 3 da manhã em um parque e chutava nossas coisas dizendo que não podíamos dormir no local. Ser um morador de rua me levou por toda parte de Manhattan para poder sobreviver e dormir nos lugares. Foram seis semanas e uma das coisas mais espirituais que já aconteceu comigo."

Para ele, ser morador de rua foi uma oportunidade para crescer.

"Quando você se depara com a adversidade, você terá melhores chances de ter uma descoberta importante. Eu acredito que os moradores de rua estão mais próximos dessa descoberta do que o resto da população. As oportunidades internas te levam para o seu eu verdadeiro mais rapidamente. Esses moradores não tem a luxúria de ter coisas falsas ao seu redor. Eles são obrigados a lidar com seu eu cruamente," explica Shuttleworth.

Ele eventualmente contatou a agência de modelos que o contratou para a campanha da Ralph Lauren e eles disseram que "estavam esperando por minha ligação".  Um extravagante estilo de vida estava começando. Mas quando ele conseguiu atuar nos filmes de Hollywood sentiu que sua energia espiritual tinha sido usada em exaustão.

"Hollywood também foi o começo do fim. Eu andei nos tapetes vermelhos e recebia tapinhas nas costas. Mas no fim do dia, eu me sentia de coração vazio. Todo mundo que fazia parte da minha vida... Eu olhava no fundo de seus olhos e não via uma alma sorrindo", diz Shuttleworth.

"Eu pensei, 'Aonde isso chegará?' Essa situação estava apenas me levando para o caminho das drogas, sexo e rock 'n' roll. Eu decidi que precisava seguir algo que me fizesse feliz. Eu deixei para trás o tapete vermelho. Deixei todos os meus agentes e decidi que queria ensinar as pessoas o que tinha aprendido da maneira mais difícil."

Shuttleworth se mudou para a Cidade do Cabo alguns anos atrás e começou a "ler muitos livros espirituais que foram dados por diferentes professores". Ele até se casou e se tornou pai.

"Eu tive muitos professores diferentes em minha vida e minha consciência estava se abrindo. Eu fiz três anos de treinamento da consciência. Eu aprendi algo tão bonito. Eu não tinha consciência, estava vivendo algo condicional e precisava me tornar autêntico. Minha consciência mudou e eu fiquei mais alerta das possibilidades."

E foi aí que surgiu sua nova encarnação como presidente do Consciousness Coaching International, que é especializado em levar negócios e indivíduos para uma realidade alternativa.

"A maioria das pessoas está fazendo coisas erradas pelas razões erradas. Você pode encontrar um advogado que queria ser artista plástico mas tomou o caminho que seus pais queriam", ele explica.

"Meu treinamento condiz com um efeito propagador na vida. Eu não quero que as pessoas sofram a dor que eu senti quando cheguei no fim do arco-íris e vi que o pote de ouro não estava lá."

Originalmente publicado por The Big Issue África do Sul. © www.streetnewsservice.org

 

 

 

 Other Language Versions

SNS logo
  • Website Design