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Modelo para armar

 IPS 24 January 2019

Os habitantes de Mauricio colaboram em um projeto de incentivo às energias renováveis que aposta na sustentabilidade ecológica e que pode se converter em modelo para outros países “Aqui temos muita luz solar’, disse Andrea Gungadin, reitora do Hindu Girls’ College, instituição de ensino particular em Curepire, sul de Maurício. (818 Words) - By Nasseem Ackburally

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 Andrea Gungadin y Maulloo. Foto: Nasseem Ackburally/IPS

"Por que permitir seu desperdício quando podemos usá-la para produzir eletricidade em um momento em que os combustíveis fósseis ficam cada vez mais escassos e caros?", perguntou.

Em sua escola, com 1.400 estudantes, são produzidos 14 quilowatts diários de eletricidade limpa, a partir de um sistema solar montado no teto do prédio. Isto representa cerca de um quinto das necessidades energéticas da escola. Em dezembro de 2010, Maurício lançou uma iniciativa pedindo à população que produzisse eletricidade a partir de fontes renováveis. O ministro de Energia e Empresas Públicas, Rashid Beebeejaun, disse que o objetivo era reduzir as emissões de gases-estufa e potencializar a resiliência energética. "Estamos transformando Maurício em uma ilha sustentável e convertendo-a em um modelo de sustentabilidade ecológica", afirmou.

Os 17 paineis solares da escola custaram US$ 4.600, mas o engenheiro Pavitra Mulloo explicou que o preço varia de acordo com fatores como localização, quantidade de paineis, estrutura e acesso ao lugar. "Os investimentos em semelhante projeto podem ser cobertos no prazo de um ano para um escritório ou instituição, e entre sete e oito anos para uma casa. Depois, a pessoa simplesmente produz, usa e vende sua eletricidade durante 20 anos", disse Rashid. As escolas públicas seguem os passos do Hindu Girls' College.

Um projeto do Ministério da Educação pretende instalar paineis solares em dez das escolas primárias e secundárias da ilha. O projeto terá capacidade total de geração de 55 mil quilowatts a serem usados pelas escolas. Durante as férias, a eletricidade produzida será vendida ao Conselho Central de Eletricidade. O código que permite aos clientes alimentar a rede nacional de energia também atrai produtores de açúcar, que enfrentam uma queda nos preços do produto.

Milhares de hectares de plantação açucareira foram abandonados, mas agora os agricultores convidam pequenos produtores de energia eólica a instalarem seus moinhos em suas terras. "Eles gostariam de ter algum ganho para compensar as perdas nos preços do açúcar, bem como continuar produzindo algumas verduras e frutas para o mercado local nas terras em volta das granjas eólicas", disse à IPS Nundlall Basant Roi, presidente da Federação Cooperativa Agrícola de Maurício. A ideia está em fase preliminar, e não há nenhuma certeza sobre quanta renda adicional os estabelecimentos eólicos podem produzir.

Maurício consome cerca de 350 megawatts por dia. Depende principalmente da importação de petróleo e carvão para atender suas necessidades energéticas. Apenas 18% são produzidos a partir de fontes renováveis, entre elas o bagaço da cana de açúcar, a hídrica, a solar e a eólica. O Conselho Central de Eletricidade prevê que a ilha precisará de 400 megawatts por dia até 2025 e pretende produzir 60% do que precisa a partir de fontes renováveis.

A visão do governo sobre uma ilha sustentável conta com uma audiência disposta. Em Vacoas, no centro do país, Deven Maulloo instalou quatro paineis fotovoltaicos que fornecem eletricidade para sua casa. Ele não vende nada para o Conselho, mas diminuiu US$ 75 em suas contas mensais, embora admita que seu sistema solar não é ideal. "Temos que mudar nosso modo de vida e adaptá-lo ao regime solar. Daí termos de fazer durante o dia todas as tarefas domésticas que necessitam de eletricidade", afirmou.

O código da rede elétrica é um passo importante para promover a geração de energias renováveis em pequena escala por parte de consumidores individuais. O custo de investir em energias renováveis é alto, e a possibilidade de vender um excedente ajuda a atrair mais participantes. Andrea disse que sua escola não teria considerado este projeto se não houvesse a opção de vender o excedente ao Conselho, mas ela pensa que isto traz muitos benefícios.

"Não é apenas produzir eletricidade e ganhar dinheiro. Também é uma maneira de ensinar aos estudantes sobre mudança climática, produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis e a necessidade de produzi-la a partir de fontes renováveis", ressaltou Andrea. Tanto ela quando Deven insistiram que a energia solar é eficiente no longo prazo.

O Código da Rede Elétrica, elaborado pelo Conselho Central de Eletricidade, estabelece os padrões de desempenho, confiabilidade e segurança para o planejamento e a operação do sistema elétrico, no qual os clientes podem produzir energia a partir de fontes fotovoltaicas, eólicas ou hídricas para seu próprio uso e vender o excedente à rede nacional. O Código se restringe às unidades geradoras com capacidade máxima de 50 quilowatts, e a capacidade instalada total no momento limita-se a 200 centrais em toda a ilha. O Conselho compra eletricidade a preços que variam entre US$ 0,30 e US$ 0,83 por quilowatt.

Originalmente publicado pela Inter Press Service. www.streetnewsservice.org ©

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